Estive efectivamente a protelar um post já há algum tempo, porém,
quando aparecem contrafacções de patos de borracha gigantes na China, é
claro que tenho de voltar pois a blogosfera nacional necessita de pelo
menos um ou dois testemunhos sobre este assunto.
Ora, depois do grande sucesso que foi o pato de borracha
gigante (escultura de 16,5 metros – “Rubber Duck”) do artista holandês
Florentijn Hofman, recentemente ancorado no Victoria Harbour em Hong Kong, os
nossos conhecidos e queridos contrafactores do oriente não tardaram em espalhar
por toda a nação chinesa várias réplicas de todos os tamanhos e nas mais variadas
localidades. As ditas réplicas estão a ser vendidas a mais ou menos € 350 pela
versão de 2 metros, € 14.000 pela réplica exacta e € 18.000 pela versão de 20
metros (!!!).
Retirando a parte “há-há, só no Oriente” da história, resta-nos
um aviso muito contemporâneo dos perigos que enfrenta a nossa cultura actual.
Tal prática vai, aliás, precisamente no sentido oposto do significado que o
artista quis dar à sua obra, tendo afirmado que o pato era “símbolo da cultura
partilhada da humanidade e das memórias de infância, assim como símbolo de arte
pura e da anti-comercialização” (lost in translation, não?).
Vivemos numa actualidade onde existe contrafacção em massa tanto a
nível da Propriedade Industrial (artigos 323.º e 324.º do CPI), como do Direito de Autor (artigo 196.º CDADC). É
necessário ter em conta que não estamos só perante roupa, relógios e perfumes
vendidos na feira (com ou sem trocadilhos nos nomes), mas também de cigarros, bebidas alcoólicas, carros, medicamentos e, claro, patos gigantes.
Quando se dá pouca importância à criatividade, ao esforço
intelectual e ao investimento que é feito nessas áreas, eventualmente deixará
de existir o incentivo que origina tais obras e tais produtos. Isto vale para
tudo, pelo que convém estarmos de olhos bem abertos para a situação.
Photo Credit: © Associated Press Photos

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